A recente decisão da prefeita de Lauro de Freitas, Débora Régis, de vetar o aumento do próprio salário parece, à primeira vista, um gesto de responsabilidade fiscal e sensibilidade política. No entanto, é impossível ignorar a contradição gritante que permeia essa ação. Enquanto vereadora, Débora votou a favor do reajuste que elevou o salário do cargo de prefeita para um dos maiores do país, criando um cenário que, no mínimo, coloca em xeque sua coerência política.

Esse veto soa mais como uma manobra estratégica de autopreservação do que um verdadeiro comprometimento com os cofres públicos ou o bem-estar da população. Afinal, ao sancionar um aumento enquanto ainda ocupava outra função, a prefeita já havia se beneficiado do sistema que agora tenta criticar.
A postura da prefeita é emblemática de uma prática política que carece de transparência e coerência. A população de Lauro de Freitas merece mais do que gestos simbólicos; merece governantes que demonstrem, de forma consistente, compromisso com a ética e com o interesse público. O veto ao aumento de salário, neste contexto, parece mais um espetáculo político do que uma medida genuína de responsabilidade.